sexta-feira, 26 de abril de 2013

Compreendendo a Edificação

Muitos cristãos são bastante corretos quanto à conduta e parecem ser muito espirituais, mas, lamentavelmente, são apenas pedras isoladas. Podem até ser pedras preciosas, mas se estiverem isoladas, não serão de muita utilidade para o propósito eterno de Deus. As pedras do edifício de Deus não se destinam para o louvor dos homens, porém, infelizmente, alguns líderes imaginam que a Casa de Deus seja algum tipo de colecção de pedras. Eles gostam de apreciar e mostrar as muitas pedras amontoadas aos domingos, contudo, um amontoado de pedras não é um edifício e não pode ser habitação para a glória de Deus.





O Senhor deseja uma casa e não uma infinidade de pedras preciosas isoladas, destinadas a compor uma exposição. Nossa grande necessidade, hoje, é sermos edificados juntos na vida da célula. Se ganhamos muitas pessoas, mas não as edificamos como parte do edifício de Deus, nosso trabalho pode ser em vão. Quando aprendemos a ser edificados, temos vitória, santificação, poder, plenitude de Deus e riqueza espiritual; tudo depende de sermos encaixados e edificados no edifício de Deus. Não é suficiente coletarmos pedras e trazê-las para a célula, é preciso edificar essas pedras, colocando-as no edifício da Casa de Deus.

O serviço dos santos é a edificação do Corpo de Cristo. Esse é o nosso trabalho. Qualquer propósito diferente deste está fora do propósito eterno de Deus. Todos os santos devem ser treinados para fazer a obra de construção, e nenhum de nós pode ficar de fora do trabalho de edificação da Casa de Deus.

1. A planta da edificação

O primeiro elemento necessário para se construir uma casa é o projeto, a planta. Como sabemos onde colocar cada pedra? Como conseguimos dar a mesma forma às pedras? Qual é o padrão? Para isso, precisamos da planta da construção, e todos os trabalhadores envolvidos na obra de edificação precisam saber como ler esse projeto que já foi dado pelos apóstolos. Este aspecto é função do ministério apostólico.

É por isso que precisamos do ministério apostólico para fazer a obra de edificação da Casa de Deus. Cada membro da célula precisa saber ler a planta e conhecer o propósito eterno, não apenas o líder da célula, mas todos os membros. Este é o problema de muitas igrejas em célula: os membros não sabem o que é a Casa de Deus; tratam a célula apenas como um grupo pequeno e trabalham de acordo com seu próprio entendimento. Por causa disso, rapidamente a célula se torna uma obra humana e acaba morrendo. Para tratar esse problema, precisamos do ministério apostólico. E o que estou compartilhando aqui a respeito do propósito eterno de Deus é, na verdade, a planta do edifício.

2. A coleta das pedras

Uma vez que conhecemos a planta, a visão da casa, então precisamos sair para coletar as pedras. Assim, nosso segundo passo é achar as pedras vivas. Precisamos encontrar o lugar onde há pedras e levá-las para o local da construção, o que aponta para o evangelismo. Deus nos leva a buscar pedras mortas e transportá-las para o reino da luz, onde se tornam pedras vivas. Depois, elas se tornam pedras lavadas e, mais adiante, pedras buriladas.

Somente trazer as pedras e lavá-las não é suficiente. Não podemos pegar a pedra bruta e usá-la na edificação. Algumas pedras são muito grandes e não cabem no espaço da construção. Neste caso, elas precisam ser quebradas para serem edificadas. Há pedras que se acham grandes e preciosas demais para fazerem parte da construção de uma célula tão simples. E, enquanto pensam assim, não são edificadas, encaixadas nem vinculadas na construção.

Existem pedras que são muito ásperas, outras possuem lascas cortantes e acabam ferindo as pedras que estão a seu lado na construção. Também há as que não gostam da construção local e vivem rolando de uma igreja para outra. São pedras, mas ainda não estão prontas para a edificação; seus hábitos antigos precisam ser mudados.

Muitas igrejas são boas em coletar pedras, mas porque não são orientadas pelo propósito eterno, param neste ponto. Elas só ajuntam pedras, mas isso não é uma casa, é apenas uma pilha de pedras. Alguns pastores se enchem de cobiça e começam a desejar as pedras de outra construção local, então, vão e as roubam. Eles desejam ter muitas pedras não porque queiram edificar, mas porque são colecionadores de pedras vivas e se vangloriam de sua enorme coleção. Gostam de fazer uma exposição semanal mostrando seu imenso conjunto de pedras preciosas. Mas, algo que aprendi é que pedras que estão edificadas e encaixadas na construção não podem ser levadas. Somente as que estão soltas são levadas. Se uma pessoa não permaneceu na célula é porque ainda não estava apropriadamente edificada, pois ninguém leva a pedra que está assentada na parede; contudo, a pedra amontoada pode ser facilmente levada.

3. As pedras devem ser buriladas

Como nós saímos e coletamos muitas pedras pelo evangelismo, agora nossa construção está cheia de pedras, mas elas não estão prontas para a edificação. Neste ponto, precisamos do terceiro elemento: o ministério de ensino. Nesta obra, precisaremos quebrar algumas pedras e talhar outras para tirar as arestas, e o ministério que faz isso é o de ensino. Precisamos ensinar e discipular uns aos outros, pois na Casa de Deus tudo é feito através da reciprocidade.

Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. (Cl 3.16)

Um grande problema que algumas igrejas enfrentam é que o discipulado se torna uma relação exclusivista e controladora. O discípulo só aceita ser ensinado e exortado por seu discipulador e este, por sua vez, não admite que ninguém venha instruir seu discípulo. Esse não é o espírito da Casa de Deus, pois nela, tudo é feito uns aos outros.

Quando faço parte da edificação de uma célula, devo aceitar que um irmão me exorte, mesmo que ele conheça menos que eu; preciso receber o conselho de outro, mesmo que ele não seja o líder ou pastor. No texto de Colossenses, Paulo ensina que, na Casa de Deus, nós nos instruímos mutuamente, ou seja, ensinamos uns aos outros. Mas, há aqueles que só aceitam aprender com o discipulador. Na mesma carta, Paulo diz que devemos também nos aconselhar mutuamente, contudo, há aqueles que só aceitam conselhos do pastor e, mesmo assim, dentro do escritório pastoral. Veja que, quando falamos de ensino, temos em mente o ensino de uma família, onde cada um é edificado pelo outro em amor. Se não ensinarmos aos irmãos, eles não estarão prontos para serem edificados.

A maioria das igrejas em célula possui esses três ministérios, mas somente eles não são suficientes para edificarmos a Casa de Deus. Precisamos ainda do trabalho dos outros dois.

4. As pedras devem ser encaixadas

Preparadas as pedras, precisamos, agora, do quarto ministério, que vai colocar cada pedra no lugar certo e cimentá-las umas nas outras para que cada uma tenha uma boa relação e esteja ligada com as demais. Esse é o ministério pastoral. Todos nós precisamos cuidar uns dos outros, e necessitamos estar atentos para que cada pedra esteja edificada em seu próprio lugar. Além disso, essas pedras precisam de manutenção e cuidado para se manterem sempre numa boa condição.

5. O controle de qualidade

O ministério profético é o último elemento necessário para a construção da Casa de Deus. Ele é o responsável pelo controle de qualidade. Quando construímos, precisamos cuidar para que a construção esteja de acordo com o projeto. Esse é um trabalho de supervisão e, se percebermos que estamos construindo de maneira errada, precisamos exortar uns ao outros. Se alguém, por exemplo, estiver edificando fora da planta, precisamos trazê-lo de volta. Por outro lado, se estivermos fazendo tudo corretamente, o ministério profético confirmará o trabalho feito e nos motivará a fazer o que ainda falta.

Toda construção é um lugar muito bagunçado – muito barulho, muitas ferramentas espalhadas – e isso pode ser muito cansativo. Na verdade, podemos nos machucar enquanto construímos e, por isso, ficamos desencorajados e desanimados. Nesse momento, o ministério profético vem para confortar, pois ele tem três funções: exortar, edificar e confortar.

Uma das razões pelas quais muitos ficam cansados e desanimados na edificação da célula é porque se esquecem que cada célula é como uma construção. E posso dizer que poucas coisas são tão motivadoras como uma construção, mas também tão cansativas e estressantes. O trabalho quase nunca acontece no tempo previsto nem na qualidade esperada. Precisamos fazer constantes correções, e isso nos desanima. Por isto precisamos  do ministério profético, para vir e nos lembrar que estamos  construindo uma casa para Deus. Ele nos encoraja e motiva a continuar, pois todo trabalhador na construção precisa de encorajamento, principalmente os líderes.

Além disso, a construção não pode ser feita de forma desleixada; precisamos supervisioná-la o tempo todo. Lembre-se de que cada crente é, ao mesmo tempo, construtor e pedra viva. Se deixarmos os crentes edificadores sem supervisão e treinamento, eles não conseguirão terminar o projeto. Isso também nos faz ver como é séria e perigosa a edificação da Igreja. Uma construção feita de forma errada pode ruir e machucar muita gente. Na verdade, toda construção é um lugar perigoso. Há riscos por todo o lado e, se não soubermos como edificar, poderemos nos machucar e ferir muita gente. Conheço muitas pedras que foram estragadas por construtores ineptos, e precisamos investir muito tempo para torná-las próprias para a edificação novamente. Como podemos cooperar na edificação da Igreja?

a) Precisamos nos reunir

De nada adianta falarmos de edificação se somos individualistas e isolados. A reunião é extremamente importante para a edificação do Corpo. Quando estamos em Cristo, sentimos necessidade dos outros membros do corpo. Quando nascemos de novo, desenvolvemos um profundo sentimento de que necessitamos dos outros e de que não podemos viver isolados dos demais irmãos. João disse que aquele que é nascido de Deus ama os irmãos. Seria uma grande contradição dizer que amamos os irmãos, mas não desejarmos estar com eles. O amor sempre resulta em comunhão.

Algumas vezes, questiono se algumas pessoas realmente nasceram de novo. Elas vivem como se tivessem simplesmente mudado de religião. E essa mudança de religião sem mudança de vida pode ser muito penosa. Tais pessoas não possuem uma nova vida em seu espírito e, mesmo assim, lhes é exigido um novo viver. Isso é muito penoso e extremamente difícil. É como pedir a um cachorro para que voe. Se ele conseguisse receber a vida e a forma de um pássaro, não precisaria de nenhuma ordem para voar, ele simplesmente voaria espontaneamente. Precisamos perceber que nascemos de novo e recebemos a pessoa de Cristo dentro de nós. Agora, o Cristo que habita em nós simplesmente é atraído por outros que possuem o mesmo Cristo, o mesmo tipo de vida. É algo inteiramente espontâneo. Podemos ter muitas dificuldades no dia-a-dia, falta de tempo e horários difíceis, mas sempre haverá no coração dos nascidos de Deus um anseio pela comunhão, pela reunião dos santos.

b) Precisamos crescer no Senhor

Textos como 1 Pedro 2.2, Efésios 2.21 e 4.15 mostram claramente que a edificação da Igreja só é possível pelo crescimento dos membros.

Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. (Ef 4.15,16)

Somente um corpo crescido pode expressar apropriadamente o Senhor. Precisamos tratar com o nosso pecado, nosso mundanismo e com o nosso ego. Para crescer, precisamos nos encher da vida de Cristo, pois, quando somos cheios do Senhor e ministramos ao Senhor, então a vida abundante de Cristo se manifesta. Tudo de que precisamos para crescer é de vida fluindo. Crescer até a maturidade é uma exigência básica para todos os santos para que haja edificação da Igreja.

c) Precisamos funcionar como ministros

Todos nós somos ministros e todos somos membros do corpo. Se somos ministros, precisamos ministrar ao corpo; se somos membros, precisamos funcionar de acordo com o dom que o Espírito nos concedeu. Se uma pessoa não consegue funcionar adequadamente, isso pode ser um sinal de que ela ainda não cresceu o suficiente. Sem crescimento, não sabemos como funcionar, por isso, a primeira condição para edificar é crescer.

d) Todos nós precisamos falar

Na vida da célula, o falar é fundamental. Lembre-se sempre de que não edificamos um grupo pequeno, mas edificamos igrejas nas células. A célula edificada apropriadamente é uma expressão da Igreja. Na reunião de celebração, não podemos falar, mas, na célula, falar é uma forma de edificarmos a Casa de Deus. Se não falamos, não crescemos nem conseguimos ministrar de acordo com nosso dom.

Precisamos ser cuidadosos, porém, para não termos um falar negativo. Há vários tipos de falas negativas que destroem ao invés de edificar. O primeiro tipo é a fofoca, e nem preciso dizer o quanto ela pode ser destrutiva. Outro falar extremamente destrutivo é a crítica. Não devemos ter palavras de crítica em nossas células. Mesmo quando tivermos de exortar, devemos fazê-lo de forma positiva. Lembre-se sempre de que é pela boca que a maior parte das doenças naturais se propagam, e não é diferente na vida espiritual.

Sem comentários:

Enviar um comentário