Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado (Lc 15.11-32).
O Senhor não nos salvou e nos abandonou para fazermos o melhor que pudéssemos com a nossa vida cristã. Ele nos salvou e agora continua conosco para nos ensinar e ajudar a viver a vida cristã. É como um pai que dá um carro ao seu filho. O filho nunca dirigiu e se sente nas nuvens, mas ainda está inseguro, com medo de bater o carro ou arranhá-lo. O pai não o abandona e pacientemente lhe ensina a dirigir e a usar cada recurso do carro. Em vez de dizer ao filho: “Vá e faça o melhor que puder”, o pai diz: “Eu farei isso com você e o farei enquanto você não puder”.
Todos conhecem a parábola do filho pródigo. Na verdade, essa parábola deveria ser chamada de
a parábola do filho mais velho, pois ele é, na verdade, o personagem central da história. Depois
de gastar todo o dinheiro do pai em uma vida dissoluta e mundana, ser abandonado em um
chiqueiro e comer comida de porcos, o filho pródigo resolve que seria melhor ser empregado de
seu pai. Ao voltar para casa, o pai o recebe, não como empregado, mas como um filho que estava
perdido e foi encontrado, faz-lhe uma festa, muda sua roupa e lhe coloca um anel no dedo.
Quando o filho mais velho vê toda aquela festa, fica muito chateado com o pai.
A maioria dos irmãos não conhece muito a respeito do irmão do filho pródigo, o irmão mais velho.
Ele é aquele que se recusou a participar da festa, pois não possuía o mesmo coração do seu pai.
Ele representa todos aqueles cheios de justiça própria. São os guardadores de regras que
desejam ver os pecadores punidos publicamente para que aprendam uma lição.
Assim como o filho pródigo ainda vive em muitos hoje, o mesmo acontece com seu irmão mais
velho infeliz. Antes de sermos muito duros com esse cara, você já pensou que ele talvez tenha
alguma razão? Quero dizer, como é que o Pai não fez nada legal para ele?
O filho mais velho estava trabalhando no campo quando o filho mais novo retornou. Ele ficou do
lado de fora da casa mesmo depois de a festa ter começado. Existe algo sobre o trabalho duro
que parece despertar uma atitude hipócrita dentro de nós. Aqueles que trabalham muito no campo
do pai costumam desenvolver uma atitude de superioridade sobre os demais.
Um dos servos lhe diz que seu irmão chegou em casa e seu pai está extremamente feliz com isso.
Essa notícia é recebida com uma expressão imediata de ciúme e raiva. Ele fica de mau humor e
faz beicinho como uma criança se recusando a entrar em casa. Quando o pai sai para convencêlo
a participar da festa, toda a raiva interior reprimida explode, borbulhando para fora. O pedido do
pai é recebido com uma enxurrada de amargura.
Seu conceito errado do que agradava ao pai é revelado em três afirmações que ele faz no verso
29: “Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem
tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos.” Essas
afirmações resumem o falso pensamento que mantém as pessoas atoladas na religião em vez de
desfrutarem de uma vida plena em Jesus.
1. Há tantos anos que te sirvo...
Ele acalentava o pensamento de que era o serviço a chave para agradar ao coração do Pai. Certa
vez, alguém disse: “Não seria uma grande tragédia viver a vida toda fazendo uma torta para Deus
e no fim descobrir que Ele não gosta de tortas?”.
Aqueles que possuem um pensamento como o irmão do filho pródigo manterão um registro de
tudo o que fazem para Deus e até tentarão usar isso numa possível barganha por uma bênção.
Os dois filhos tinham a mentalidade da troca e do merecimento. O primeiro achou que tinha errado
tanto que nem merecia ser chamado de filho, mas ficaria contente em ser um servo na fazenda do
pai. O segundo trabalhou arduamente a vida toda para ser merecedor da bênção do pai. Nenhum
dos dois conhecia o coração gracioso do pai.
Não fomos criados para trabalhar para Deus. Quando Deus criou o homem, Ele o colocou num
jardim de delícias, e não numa linha de montagem de uma fábrica. O que agrada a Deus é nosso
relacionamento com Ele como filhos. Não amamos nossos filhos pelo que eles fazem por nós,
tampouco o Senhor.
O irmão do filho pródigo esperava ter uma festa como aquela, mas ele pensava que deveria fazer
alguma coisa melhor. Deveria servir o pai o máximo possível até chegar ao ponto de merecer. Não
é difícil imaginar sua decepção e indignação com aquilo que, para ele, era uma tremenda injustiça.
Ele certamente dizia: “Eu tenho te servido, ajudado a ficar mais rico, enquanto esse outro
irresponsavelmente gastou o teu dinheiro no pecado”.
O irmão mais velho é aquela criança que sempre foi boazinha. Todos dizem que ela é bem
comportada, nunca faz nada de errado e sempre procura agradar a seus pais. O irmão mais velho
sempre se esforçou para fazer a coisa certa e não conseguia entender por que seu irmão caçula
estava sempre fazendo algo que contrariava ao pai. Ele foi sempre um bom garoto na escola e
nunca lhe ocorreu se rebelar.
Os irmãos mais velhos dos dias de Jesus eram os fariseus. Eles eram as pessoas boas que se
achavam melhores do que os pecadores comuns. Eles mereciam um tratamento especial do pai.
Estes são aqueles de quem Jesus disse: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração
está longe de mim” (Mt 15.8) . Eles entenderam as regras, mas não entenderam o que significava
ter um relacionamento com o Pai. Achavam que mereciam o amor de Deus porque supunham ter
se comportado bem. Eles mereciam. Deus lhes devia. Mas ninguém será aceito por Deus com
base em seu merecimento. Muitos nunca saíram de casa, mas nunca perceberam que eles eram
a casa. Eram desviados dentro de casa. Tentaram, de todas as formas, obedecer para merecer,
sem entender que tudo era deles de graça.
O filho mais velho estava tão longe de casa quanto seu irmão mais novo. Ele enxergava a si
mesmo apenas como um servo do seu pai. Ele disse: “Todos estes anos tenho trabalhado como
um escravo para o senhor e nunca desobedeci às suas ordens”. Eu fico pensando o quanto seria
difícil para o irmão mais velho fazer o mesmo que fez o filho pródigo – cair de joelhos e dizer: “Pai,
pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho”. Mas ele jamais
admitiu que estava tão distante do pai quanto aquele que se afastara de casa. Ao contrário, ele
disse que nunca tinha desobedecido às ordens de seu pai. Isso pode parecer correto, mas o
problema é que ele viu sua relação com o pai apenas como uma questão de obedecer a ordens.
Ele obedeceu ao pai, mas nunca tinha respondido ao amor de seu pai ou dado a ele um lugar em
seu coração. Imagine este homem moral e responsável caindo de joelhos, enterrando a cabeça no
peito de seu pai e dizendo que ele era indigno de ser chamado de filho. É quase impensável. Ele
não tinha feito nada de errado. Ele não tinha pecado contra o céu ou contra o seu pai. Ele
certamente não podia ver que não era digno de ser chamado filho de seu pai. Mas isso é
exatamente o que ele precisava fazer, porque o seu coração não era um com o seu pai. Ele queria
ser bom para que o pai pudesse se orgulhar de quem ele era e o que tinha feito, não porque ele
amava o pai e quisesse ser como ele.
É muito difícil para pessoas que se julgam boas e morais perceberem sua necessidade de Deus.
Elas imaginam que não há nada de que elas precisam ser perdoadas, talvez alguma indiscrição
menor, mas nada sério. O problema é que se esquecem de que o relacionamento com Deus é
baseado na graça, e não no mérito. Pessoas com a mentalidade daquele irmão mais velho têm
dificuldade de compreender a graça. Esquecem-se da palavra de Deus que diz: “Não há um justo,
nem um sequer” (Rm 3.10). A pessoa que está realmente caminhando com Deus torna-se
consciente de que não merece receber nada de Deus por causa de suas boas obras. Ela não vive
debaixo de acusação e de culpa, mas se sente imensamente abençoada pela graça de Deus.
A mentalidade do irmão mais velho é que ele merecia as coisas do pai. Ele esteve na casa do pai
e foi um bom filho, por isso ele é o mais merecedor. Ele olha com desprezo para aqueles que se
desviaram e agora voltaram querendo ser parte da casa do pai. Se fizéssemos uma imagem do
filho mais velho, nós o veríamos com os braços cruzados em torno de seu corpo, enquanto o pai
está com o seus abertos para receber o filho desobediente. Sua justiça própria o leva a endurecerse,
manter a distância. Há uma luz que irradia do pai, mas ele está de pé na escuridão.
Há um olhar de desdém em seu rosto. Seu corpo está imóvel na presença daquele irmão que está
necessitado. Em sua mente, ele gostaria que o irmão fosse embora. Ele o convidaria para sair se
pudesse. A presença desse irmão mais novo tornou sua vida mais difícil e ele está com ciúmes de
seu lugar na casa do pai. Não há amor, nem compaixão e nem acolhimento. Ele até poderia ter
recebido seu irmão como um empregado, mas não como irmão. Ele não consegue ver os pecados
em seu próprio coração. É orgulhoso e cheio de justiça própria. Retornar de uma queda no
pecado parece muito mais fácil do que, estando em casa, reconhecer o amor do pai.
Aquele que possui a mentalidade do filho mais velho sempre possui queixas e reclamações sobre
o quanto ele tem trabalhado e de como tem sido pouco reconhecido. Ele chafurda em seu
ressentimento. Em sua inveja e amargura, o filho mais velho só pode ver que seu irmão
irresponsável está recebendo mais atenção do que ele próprio e conclui que ele é o menos amado
dos dois.
2. Jamais transgredi uma ordem tua...
Na primeira afirmação, vemos o trabalho e o serviço como ênfase. Agora, porém, ele estava
assumindo que agradar ao pai era uma questão de guardar regras e normas. Por causa disso, ele
se recusava a participar da festa da comunhão com o pai.
Quando éramos crianças, muitos de nós ouvimos a mãe dizer: “Se você não se comportar direito,
papai do céu não gosta mais de você!”. O resultado é que nos comportamos mal e, então,
concluímos que estamos excluídos do amor do pai. Esse certamente foi o problema do filho mais
novo que caiu na farra. Mas o filho mais velho achava que tinha se comportado bem. Assim, ele
concluiu que merecia o amor do pai.
Ele disse ao pai: “Eu jamais transgredi uma ordem tua”. Mas eu duvido que esta afirmação seja
verdadeira. Ninguém jamais viveu o padrão perfeito da lei. Todos nós temos transgredido a lei. É
notável a facilidade com que aquele jovem podia esquecer as muitas vezes que o pai lhe havia
perdoado ao longo dos anos. Ele estava cheio de justiça própria.
A justiça própria daqueles que se definem em termos de regras, restrições e regulamentos é
insuportável. Eles nunca se divertem e não permitem que você se divirta também. Se não vivemos
à altura de suas expectativas, podemos esperar críticas, punições e rejeições.
Você pode estar debaixo desse pensamento se um sentimento constante de estar em falta o
controla. Parece que nunca orou o suficiente, nunca contribuiu o suficiente, leu o suficiente ou se
preparou o suficiente, enfim, você não é o suficiente para agradar a Deus. Todos esses
sentimentos são frutos do pensamento de que precisamos ser ou fazer algo para merecer a graça
de Deus. Se for merecimento, não é graça, é dívida, e, se é graça, então não há espaço para o
mérito humano.
Você precisa entender de uma vez por todas que é impossível agradar a Deus com obras.
Somente agradamos a Deus confiando em Sua graça. Que obra pode fazer o homem que seja
suficientemente perfeita para agradar ao Senhor do universo, que é perfeito em tudo? É
impossível agradar a Deus segundo os Seus critérios divinos, somente podemos agradá-Lhe por
causa de Sua graça. É como um bebê que fez uma pequena obra de arte com lápis de cor para o
seu pai. Aquilo não tem valor real, mas o pai amorosamente guarda na sala e até emoldura.
O valor não está no que fazemos, mas nos olhos de amor do pai sobre nós. Imagine que
sofrimento se aquele bebê ficasse esperando se tornar um Picasso para poder agradar ao pai.
Mas foi exatamente isso que fez o irmão do filho pródigo. Nunca desfrutou de sua herança porque
esperava estar qualificado. Não lhe parece familiar essa situação?
Não se relacione com Deus com base na responsabilidade ou na lei da obrigação. Relacione-se
com base na graça. Se fizermos algo para Ele, isso deve ser visto como um privilégio da graça, e
não uma obrigação da lei.
3. Nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos
O filho mais velho culpou seu pai recriminando sua graça e amor para com o pródigo. Ele também
desprezou a seu irmão. Ele disse: “Esse teu filho [...]”. Dá para perceber a ponta de desprezo
nessa colocação. Ele não o chama de seu irmão e não demonstra nenhuma alegria em seu
retorno. Ele prefere vê-lo como algo vil e desprezível. Além disso, não há amor ou respeito por seu
pai. Você notou como o pai acaba levando toda a culpa? É tudo culpa dele. “Você nunca me deu
um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; mas vindo esse seu filho, que
desperdiçou os teus bens com meretrizes, você manda matar para ele o novilho cevado” (Lc
15.29.30).
Aquele filho viveu toda sua vida com um desejo oculto não satisfeito. Ele sempre quis fazer um
churrasco com seus amigos, mas pensava que seu pai iria lhe negar o novilho. Todos aqueles
anos trabalhando e se esforçando para ser um bom filho a fim de merecer aquele churrasco com
os amigos e agora aparece o filho ingrato e recebe de graça tudo o que ele sempre quis. Ambos
os filhos desconheciam o próprio pai. O primeiro partiu para só depois perceber o que havia
perdido, e o segundo ficou em casa sem nunca perceber que tudo era seu.
O que deve marcar o nosso coração é a atitude do pai para com os dois filhos. Primeiro, vemos o
pai correndo ao encontro do rebelde que o abandonara. Depois, o vemos novamente saindo para
buscar aquele que estava nervoso do lado de fora da casa. Deus Pai ama o hipócrita, o
presunçoso e o legalista egocêntrico assim como Ele ama o rebelde e o pródigo desobediente.
Quando o pai encontra o seu filho mais velho, ele não o repreende ou o censura, mas procura
trazê-lo ao bom senso. O que partiu estava constrangido de entrar, e o que ficou se recusou a
entrar. Nenhum dos dois conhecia o pai.
O pai diz ao filho que tudo o que tinha estava disponível para ele. Tudo o que ele tinha a fazer era
pedir. Uma atitude hipócrita ocorre frequentemente em pessoas que estão sentadas diante de
uma grande bênção, mas sem nunca reivindicá-la. Eles ficam chateados quando veem os outros,
que eles julgam não merecerem nada, entrando e recebendo o que poderia ser deles, mas que
nunca pediram nem nunca reivindicaram.
Isso revela que o filho mais velho estava realmente mais perdido do que o outro. Ele não tinha ido
para um país distante como outro, mas estava longe do coração do pai. Apesar de tudo isso, o pai
oferece graça ao menino. Ele diz: “Meu filho, você sempre está comigo; tudo o que é meu é seu.
Agora, não fique com raiva porque eu mostrei amor e graça para o seu irmão”.
Jesus termina a história com esse rapaz do lado de fora da casa. Nós não sabemos o que
aconteceu depois. Crentes guardadores da lei são grandes candidatos a serem irmãos do filho
pródigo. Em sua busca pelo merecimento, acabam perdendo a festa que acontece dentro da casa.
Quando pedem justiça em relação ao irmão, deixam de receber a maravilhosa graça do pai.
A maior parte das coisas que nos pesam não fazia parte da vida de Jesus. Seu ministério não
parecia ter uma agenda fixa ou rígida, mas tudo dependia do Espírito. Sua vida de oração não era
baseada em regras rígidas, mas numa comunhão com o Pai. Depois de ouvir a voz de Deus no
batismo: “Eis meu filho amado, em quem me comprazo!”, Ele foi levado ao deserto para ser
tentado. E a tentação foi: “Se você é filho de Deus, então prove”. Ele nunca tentou provar o que
era fazendo alguma coisa. Assim como Ele, nós não precisamos provar coisa alguma, precisamos
apenas assumir a nossa posição de filhos. Nós somos filhos e isso é suficiente para termos tudo
do Pai.
Costumo dizer que precisamos ter uma santa cara de pau para desfrutarmos da graça de Deus.
Paulo diz em Romanos 4.3,4 que, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, mas
sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é
atribuída como justiça. Imagine a cena:
— E aí, João, fez todo o serviço?
— Bem, Senhor. Não deu para fazer tudo. Na verdade, eu nem trabalhei esse mês. Mas eu estou
aqui para receber o meu salário.
— Tudo bem, João. Pode passar na tesouraria e pegar o seu cheque.
Tem cabimento? Se você trabalhasse o mês inteiro e visse essa cena não ficaria indignado? Não
dá para condenar o irmão do filho pródigo. Todos nós eventualmente temos a mesma atitude dele.
Mas Deus está nos convidando hoje a usufruir de Sua graça superabundante. Tenha a cara de
pau de pedir tudo. Não importa se você não fez todo o serviço, não se sente qualificado, não orou
o suficiente, não leu toda a Bíblia, não cumpriu todas as condições nem pagou o preço. Apenas vá
receber o salário sem ter trabalhado. Deus não abençoa quem merece, Ele abençoa aquele que
crê a ponto de ter essa cara de pau.
A casa está aberta para você. Não existem quartos fechados, não há comidas proibidas,
não há móveis em que não possa subir, porque tudo é seu. Se parece haver alguma restrição, é
para o seu bem, afinal brincar com faca é perigoso.
--
O Senhor não nos salvou e nos abandonou para fazermos o melhor que pudéssemos com a nossa vida cristã. Ele nos salvou e agora continua conosco para nos ensinar e ajudar a viver a vida cristã. É como um pai que dá um carro ao seu filho. O filho nunca dirigiu e se sente nas nuvens, mas ainda está inseguro, com medo de bater o carro ou arranhá-lo. O pai não o abandona e pacientemente lhe ensina a dirigir e a usar cada recurso do carro. Em vez de dizer ao filho: “Vá e faça o melhor que puder”, o pai diz: “Eu farei isso com você e o farei enquanto você não puder”.
Todos conhecem a parábola do filho pródigo. Na verdade, essa parábola deveria ser chamada de
a parábola do filho mais velho, pois ele é, na verdade, o personagem central da história. Depois
de gastar todo o dinheiro do pai em uma vida dissoluta e mundana, ser abandonado em um
chiqueiro e comer comida de porcos, o filho pródigo resolve que seria melhor ser empregado de
seu pai. Ao voltar para casa, o pai o recebe, não como empregado, mas como um filho que estava
perdido e foi encontrado, faz-lhe uma festa, muda sua roupa e lhe coloca um anel no dedo.
Quando o filho mais velho vê toda aquela festa, fica muito chateado com o pai.
A maioria dos irmãos não conhece muito a respeito do irmão do filho pródigo, o irmão mais velho.
Ele é aquele que se recusou a participar da festa, pois não possuía o mesmo coração do seu pai.
Ele representa todos aqueles cheios de justiça própria. São os guardadores de regras que
desejam ver os pecadores punidos publicamente para que aprendam uma lição.
Assim como o filho pródigo ainda vive em muitos hoje, o mesmo acontece com seu irmão mais
velho infeliz. Antes de sermos muito duros com esse cara, você já pensou que ele talvez tenha
alguma razão? Quero dizer, como é que o Pai não fez nada legal para ele?
O filho mais velho estava trabalhando no campo quando o filho mais novo retornou. Ele ficou do
lado de fora da casa mesmo depois de a festa ter começado. Existe algo sobre o trabalho duro
que parece despertar uma atitude hipócrita dentro de nós. Aqueles que trabalham muito no campo
do pai costumam desenvolver uma atitude de superioridade sobre os demais.
Um dos servos lhe diz que seu irmão chegou em casa e seu pai está extremamente feliz com isso.
Essa notícia é recebida com uma expressão imediata de ciúme e raiva. Ele fica de mau humor e
faz beicinho como uma criança se recusando a entrar em casa. Quando o pai sai para convencêlo
a participar da festa, toda a raiva interior reprimida explode, borbulhando para fora. O pedido do
pai é recebido com uma enxurrada de amargura.
Seu conceito errado do que agradava ao pai é revelado em três afirmações que ele faz no verso
29: “Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem
tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos.” Essas
afirmações resumem o falso pensamento que mantém as pessoas atoladas na religião em vez de
desfrutarem de uma vida plena em Jesus.
1. Há tantos anos que te sirvo...
Ele acalentava o pensamento de que era o serviço a chave para agradar ao coração do Pai. Certa
vez, alguém disse: “Não seria uma grande tragédia viver a vida toda fazendo uma torta para Deus
e no fim descobrir que Ele não gosta de tortas?”.
Aqueles que possuem um pensamento como o irmão do filho pródigo manterão um registro de
tudo o que fazem para Deus e até tentarão usar isso numa possível barganha por uma bênção.
Os dois filhos tinham a mentalidade da troca e do merecimento. O primeiro achou que tinha errado
tanto que nem merecia ser chamado de filho, mas ficaria contente em ser um servo na fazenda do
pai. O segundo trabalhou arduamente a vida toda para ser merecedor da bênção do pai. Nenhum
dos dois conhecia o coração gracioso do pai.
Não fomos criados para trabalhar para Deus. Quando Deus criou o homem, Ele o colocou num
jardim de delícias, e não numa linha de montagem de uma fábrica. O que agrada a Deus é nosso
relacionamento com Ele como filhos. Não amamos nossos filhos pelo que eles fazem por nós,
tampouco o Senhor.
O irmão do filho pródigo esperava ter uma festa como aquela, mas ele pensava que deveria fazer
alguma coisa melhor. Deveria servir o pai o máximo possível até chegar ao ponto de merecer. Não
é difícil imaginar sua decepção e indignação com aquilo que, para ele, era uma tremenda injustiça.
Ele certamente dizia: “Eu tenho te servido, ajudado a ficar mais rico, enquanto esse outro
irresponsavelmente gastou o teu dinheiro no pecado”.
O irmão mais velho é aquela criança que sempre foi boazinha. Todos dizem que ela é bem
comportada, nunca faz nada de errado e sempre procura agradar a seus pais. O irmão mais velho
sempre se esforçou para fazer a coisa certa e não conseguia entender por que seu irmão caçula
estava sempre fazendo algo que contrariava ao pai. Ele foi sempre um bom garoto na escola e
nunca lhe ocorreu se rebelar.
Os irmãos mais velhos dos dias de Jesus eram os fariseus. Eles eram as pessoas boas que se
achavam melhores do que os pecadores comuns. Eles mereciam um tratamento especial do pai.
Estes são aqueles de quem Jesus disse: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração
está longe de mim” (Mt 15.8) . Eles entenderam as regras, mas não entenderam o que significava
ter um relacionamento com o Pai. Achavam que mereciam o amor de Deus porque supunham ter
se comportado bem. Eles mereciam. Deus lhes devia. Mas ninguém será aceito por Deus com
base em seu merecimento. Muitos nunca saíram de casa, mas nunca perceberam que eles eram
a casa. Eram desviados dentro de casa. Tentaram, de todas as formas, obedecer para merecer,
sem entender que tudo era deles de graça.
O filho mais velho estava tão longe de casa quanto seu irmão mais novo. Ele enxergava a si
mesmo apenas como um servo do seu pai. Ele disse: “Todos estes anos tenho trabalhado como
um escravo para o senhor e nunca desobedeci às suas ordens”. Eu fico pensando o quanto seria
difícil para o irmão mais velho fazer o mesmo que fez o filho pródigo – cair de joelhos e dizer: “Pai,
pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho”. Mas ele jamais
admitiu que estava tão distante do pai quanto aquele que se afastara de casa. Ao contrário, ele
disse que nunca tinha desobedecido às ordens de seu pai. Isso pode parecer correto, mas o
problema é que ele viu sua relação com o pai apenas como uma questão de obedecer a ordens.
Ele obedeceu ao pai, mas nunca tinha respondido ao amor de seu pai ou dado a ele um lugar em
seu coração. Imagine este homem moral e responsável caindo de joelhos, enterrando a cabeça no
peito de seu pai e dizendo que ele era indigno de ser chamado de filho. É quase impensável. Ele
não tinha feito nada de errado. Ele não tinha pecado contra o céu ou contra o seu pai. Ele
certamente não podia ver que não era digno de ser chamado filho de seu pai. Mas isso é
exatamente o que ele precisava fazer, porque o seu coração não era um com o seu pai. Ele queria
ser bom para que o pai pudesse se orgulhar de quem ele era e o que tinha feito, não porque ele
amava o pai e quisesse ser como ele.
É muito difícil para pessoas que se julgam boas e morais perceberem sua necessidade de Deus.
Elas imaginam que não há nada de que elas precisam ser perdoadas, talvez alguma indiscrição
menor, mas nada sério. O problema é que se esquecem de que o relacionamento com Deus é
baseado na graça, e não no mérito. Pessoas com a mentalidade daquele irmão mais velho têm
dificuldade de compreender a graça. Esquecem-se da palavra de Deus que diz: “Não há um justo,
nem um sequer” (Rm 3.10). A pessoa que está realmente caminhando com Deus torna-se
consciente de que não merece receber nada de Deus por causa de suas boas obras. Ela não vive
debaixo de acusação e de culpa, mas se sente imensamente abençoada pela graça de Deus.
A mentalidade do irmão mais velho é que ele merecia as coisas do pai. Ele esteve na casa do pai
e foi um bom filho, por isso ele é o mais merecedor. Ele olha com desprezo para aqueles que se
desviaram e agora voltaram querendo ser parte da casa do pai. Se fizéssemos uma imagem do
filho mais velho, nós o veríamos com os braços cruzados em torno de seu corpo, enquanto o pai
está com o seus abertos para receber o filho desobediente. Sua justiça própria o leva a endurecerse,
manter a distância. Há uma luz que irradia do pai, mas ele está de pé na escuridão.
Há um olhar de desdém em seu rosto. Seu corpo está imóvel na presença daquele irmão que está
necessitado. Em sua mente, ele gostaria que o irmão fosse embora. Ele o convidaria para sair se
pudesse. A presença desse irmão mais novo tornou sua vida mais difícil e ele está com ciúmes de
seu lugar na casa do pai. Não há amor, nem compaixão e nem acolhimento. Ele até poderia ter
recebido seu irmão como um empregado, mas não como irmão. Ele não consegue ver os pecados
em seu próprio coração. É orgulhoso e cheio de justiça própria. Retornar de uma queda no
pecado parece muito mais fácil do que, estando em casa, reconhecer o amor do pai.
Aquele que possui a mentalidade do filho mais velho sempre possui queixas e reclamações sobre
o quanto ele tem trabalhado e de como tem sido pouco reconhecido. Ele chafurda em seu
ressentimento. Em sua inveja e amargura, o filho mais velho só pode ver que seu irmão
irresponsável está recebendo mais atenção do que ele próprio e conclui que ele é o menos amado
dos dois.
2. Jamais transgredi uma ordem tua...
Na primeira afirmação, vemos o trabalho e o serviço como ênfase. Agora, porém, ele estava
assumindo que agradar ao pai era uma questão de guardar regras e normas. Por causa disso, ele
se recusava a participar da festa da comunhão com o pai.
Quando éramos crianças, muitos de nós ouvimos a mãe dizer: “Se você não se comportar direito,
papai do céu não gosta mais de você!”. O resultado é que nos comportamos mal e, então,
concluímos que estamos excluídos do amor do pai. Esse certamente foi o problema do filho mais
novo que caiu na farra. Mas o filho mais velho achava que tinha se comportado bem. Assim, ele
concluiu que merecia o amor do pai.
Ele disse ao pai: “Eu jamais transgredi uma ordem tua”. Mas eu duvido que esta afirmação seja
verdadeira. Ninguém jamais viveu o padrão perfeito da lei. Todos nós temos transgredido a lei. É
notável a facilidade com que aquele jovem podia esquecer as muitas vezes que o pai lhe havia
perdoado ao longo dos anos. Ele estava cheio de justiça própria.
A justiça própria daqueles que se definem em termos de regras, restrições e regulamentos é
insuportável. Eles nunca se divertem e não permitem que você se divirta também. Se não vivemos
à altura de suas expectativas, podemos esperar críticas, punições e rejeições.
Você pode estar debaixo desse pensamento se um sentimento constante de estar em falta o
controla. Parece que nunca orou o suficiente, nunca contribuiu o suficiente, leu o suficiente ou se
preparou o suficiente, enfim, você não é o suficiente para agradar a Deus. Todos esses
sentimentos são frutos do pensamento de que precisamos ser ou fazer algo para merecer a graça
de Deus. Se for merecimento, não é graça, é dívida, e, se é graça, então não há espaço para o
mérito humano.
Você precisa entender de uma vez por todas que é impossível agradar a Deus com obras.
Somente agradamos a Deus confiando em Sua graça. Que obra pode fazer o homem que seja
suficientemente perfeita para agradar ao Senhor do universo, que é perfeito em tudo? É
impossível agradar a Deus segundo os Seus critérios divinos, somente podemos agradá-Lhe por
causa de Sua graça. É como um bebê que fez uma pequena obra de arte com lápis de cor para o
seu pai. Aquilo não tem valor real, mas o pai amorosamente guarda na sala e até emoldura.
O valor não está no que fazemos, mas nos olhos de amor do pai sobre nós. Imagine que
sofrimento se aquele bebê ficasse esperando se tornar um Picasso para poder agradar ao pai.
Mas foi exatamente isso que fez o irmão do filho pródigo. Nunca desfrutou de sua herança porque
esperava estar qualificado. Não lhe parece familiar essa situação?
Não se relacione com Deus com base na responsabilidade ou na lei da obrigação. Relacione-se
com base na graça. Se fizermos algo para Ele, isso deve ser visto como um privilégio da graça, e
não uma obrigação da lei.
3. Nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos
O filho mais velho culpou seu pai recriminando sua graça e amor para com o pródigo. Ele também
desprezou a seu irmão. Ele disse: “Esse teu filho [...]”. Dá para perceber a ponta de desprezo
nessa colocação. Ele não o chama de seu irmão e não demonstra nenhuma alegria em seu
retorno. Ele prefere vê-lo como algo vil e desprezível. Além disso, não há amor ou respeito por seu
pai. Você notou como o pai acaba levando toda a culpa? É tudo culpa dele. “Você nunca me deu
um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; mas vindo esse seu filho, que
desperdiçou os teus bens com meretrizes, você manda matar para ele o novilho cevado” (Lc
15.29.30).
Aquele filho viveu toda sua vida com um desejo oculto não satisfeito. Ele sempre quis fazer um
churrasco com seus amigos, mas pensava que seu pai iria lhe negar o novilho. Todos aqueles
anos trabalhando e se esforçando para ser um bom filho a fim de merecer aquele churrasco com
os amigos e agora aparece o filho ingrato e recebe de graça tudo o que ele sempre quis. Ambos
os filhos desconheciam o próprio pai. O primeiro partiu para só depois perceber o que havia
perdido, e o segundo ficou em casa sem nunca perceber que tudo era seu.
O que deve marcar o nosso coração é a atitude do pai para com os dois filhos. Primeiro, vemos o
pai correndo ao encontro do rebelde que o abandonara. Depois, o vemos novamente saindo para
buscar aquele que estava nervoso do lado de fora da casa. Deus Pai ama o hipócrita, o
presunçoso e o legalista egocêntrico assim como Ele ama o rebelde e o pródigo desobediente.
Quando o pai encontra o seu filho mais velho, ele não o repreende ou o censura, mas procura
trazê-lo ao bom senso. O que partiu estava constrangido de entrar, e o que ficou se recusou a
entrar. Nenhum dos dois conhecia o pai.
O pai diz ao filho que tudo o que tinha estava disponível para ele. Tudo o que ele tinha a fazer era
pedir. Uma atitude hipócrita ocorre frequentemente em pessoas que estão sentadas diante de
uma grande bênção, mas sem nunca reivindicá-la. Eles ficam chateados quando veem os outros,
que eles julgam não merecerem nada, entrando e recebendo o que poderia ser deles, mas que
nunca pediram nem nunca reivindicaram.
Isso revela que o filho mais velho estava realmente mais perdido do que o outro. Ele não tinha ido
para um país distante como outro, mas estava longe do coração do pai. Apesar de tudo isso, o pai
oferece graça ao menino. Ele diz: “Meu filho, você sempre está comigo; tudo o que é meu é seu.
Agora, não fique com raiva porque eu mostrei amor e graça para o seu irmão”.
Jesus termina a história com esse rapaz do lado de fora da casa. Nós não sabemos o que
aconteceu depois. Crentes guardadores da lei são grandes candidatos a serem irmãos do filho
pródigo. Em sua busca pelo merecimento, acabam perdendo a festa que acontece dentro da casa.
Quando pedem justiça em relação ao irmão, deixam de receber a maravilhosa graça do pai.
A maior parte das coisas que nos pesam não fazia parte da vida de Jesus. Seu ministério não
parecia ter uma agenda fixa ou rígida, mas tudo dependia do Espírito. Sua vida de oração não era
baseada em regras rígidas, mas numa comunhão com o Pai. Depois de ouvir a voz de Deus no
batismo: “Eis meu filho amado, em quem me comprazo!”, Ele foi levado ao deserto para ser
tentado. E a tentação foi: “Se você é filho de Deus, então prove”. Ele nunca tentou provar o que
era fazendo alguma coisa. Assim como Ele, nós não precisamos provar coisa alguma, precisamos
apenas assumir a nossa posição de filhos. Nós somos filhos e isso é suficiente para termos tudo
do Pai.
Costumo dizer que precisamos ter uma santa cara de pau para desfrutarmos da graça de Deus.
Paulo diz em Romanos 4.3,4 que, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, mas
sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é
atribuída como justiça. Imagine a cena:
— E aí, João, fez todo o serviço?
— Bem, Senhor. Não deu para fazer tudo. Na verdade, eu nem trabalhei esse mês. Mas eu estou
aqui para receber o meu salário.
— Tudo bem, João. Pode passar na tesouraria e pegar o seu cheque.
Tem cabimento? Se você trabalhasse o mês inteiro e visse essa cena não ficaria indignado? Não
dá para condenar o irmão do filho pródigo. Todos nós eventualmente temos a mesma atitude dele.
Mas Deus está nos convidando hoje a usufruir de Sua graça superabundante. Tenha a cara de
pau de pedir tudo. Não importa se você não fez todo o serviço, não se sente qualificado, não orou
o suficiente, não leu toda a Bíblia, não cumpriu todas as condições nem pagou o preço. Apenas vá
receber o salário sem ter trabalhado. Deus não abençoa quem merece, Ele abençoa aquele que
crê a ponto de ter essa cara de pau.
A casa está aberta para você. Não existem quartos fechados, não há comidas proibidas,
não há móveis em que não possa subir, porque tudo é seu. Se parece haver alguma restrição, é
para o seu bem, afinal brincar com faca é perigoso.
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