sábado, 18 de outubro de 2014

Vigésimo Dia Livres da escravidão - Jejum De Daniel

Nós sabemos que a lei não é a culpada de nosso pecado. A lei não causa o pecado, ela apenas o
manifesta. A lei não é má, pelo contrário, o mandamento de Deus é santo, justo e bom (Rm 7.12).
O problema está em nós. Nós é que somos injustos e incapazes de cumpri-la.
Uma vez que somos incapazes de cumprir a lei, ela se torna um fardo insuportável para nós.
Aqueles que procuram agradar a Deus cumprindo os mandamentos da lei vivem debaixo de constante condenação e angústia. Apesar de serem crentes, não possuem paz no coração, pois estão sempre sentido que precisam fazer algo para aplacar a ira de Deus. Apesar de serem salvos, vivem ainda como escravos. A lei é uma escravidão da qual todo crente precisa ser liberto.
Não se submeta à escravidão (Gl 5.1-6)
Eis a proclamação de Paulo em Gálatas 5.1: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou.
Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”. Em outras
palavras, “Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres”. Nossa vida anterior era escravidão,
Jesus Cristo é nosso libertador. A conversão é a nossa carta de alforria, não podemos mais nos
sujeitar a viver uma vida que não seja de plena liberdade.
Para surpresa de muitos crentes, nossa liberdade não é, em primeiro lugar, uma libertação do
pecado, mas, antes, uma libertação da lei e da religião. A liberdade cristã é a liberdade da tirania
da lei, da luta terrível para guardar a lei com a intenção de agradar a Deus. Ser liberto da lei é ser
liberto de ter de agradar a Deus.
O ministério da lei é chamado por Paulo de ministério da morte e da condenação:
E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os
filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que
desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da
condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça (2 Co 3.7-9).
Os Dez Mandamentos foram gravados em tábuas de pedras e eles são chamados de ministério
da morte. Alguns gostam de pensar que apenas as leis cerimoniais passaram. As leis cerimoniais
eram aquelas que envolviam o sacrifício de animais, os rituais de purificação e as santas
convocações. Mas o texto diz que o ministério da condenação foi escrito em pedras, e nós
sabemos que apenas os Dez Mandamentos foram gravados em pedra. Isso indica que a lei
envolve tanto as leis cerimoniais como todos os mandamentos.
Nós fomos libertos da lei, incluindo a lei cerimonial, seus mandamentos e juízos. Todo crente
precisa ter uma experiência de libertação da lei para se tornar um instrumento útil nas mãos de
Deus e também para vencer o pecado. É somente quando experimentamos a libertação da lei que
se cumpre em nós a promessa de Romanos 6.14.
Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da
graça (Rm 6.14).
Todo crente precisa ser liberto do pecado, mas também necessita ter uma experiência de
libertação da lei. A graça significa que Deus faz algo por mim. A lei significa que eu faço alguma
coisa para Deus. Se a lei significa que Deus requer algo de mim, então ser liberto da lei significa
que Ele não requer mais nada de mim, porque Ele mesmo fez a necessária provisão. Se a lei
implica Deus requerer que eu faça algo para Ele, a libertação da lei implica que Ele já fez tudo por
mim pela Sua graça.
Assim, eu não necessito fazer nada para ser aceito por Deus ou para agradar-Lhe. Por causa da
obra completa do Senhor Jesus na cruz, Ele já está em paz comigo. Quando nos convertemos,
nós entendemos bem que somos salvos pela graça e que não necessitamos de fazer coisa
alguma para obter o favor de Deus a não ser crer. O problema é que, depois de convertidos,
concluímos que precisamos fazer alguma coisa para agradar a Deus. Essa tentativa nos coloca
imediatamente debaixo da lei.
No livro de Romanos, Paulo fala da escravidão do pecado e da escravidão da lei. No capítulo 6, a
figura é a de um senhor e um escravo, para ilustrar a nossa relação com o pecado; mas, no
capítulo 7, a ilustração é a de dois maridos e uma mulher, para mostrar a relação que temos com
a lei.
Imaginemos um homem de personalidade forte e exigente. Ele é perfeccionista ao extremo e
escrupuloso até o último grau. Esse homem, porém, é casado com uma mulher indolente. Para
ele, tudo é definido e preciso, mas, para ela, tudo é transformado numa grande bagunça. Como
pode haver alegria em um lar assim? Essa mulher vive uma vida infeliz ao lado de um marido
assim.
Apesar de o marido ser tão exigente, ninguém pode condená-lo, porque ele está correto em todas
as suas exigências. Não se pode achar falta no homem, o problema é que a sua mulher não tem a
capacidade para cumprir todas as suas exigências. Assim, a mulher encontra-se em angústia:
tudo o que ela faz está sempre errado, ela vive debaixo de uma sensação constante de
condenação e acusação. O marido chegou mesmo a criar para ela um resumo de dez pontos que
ele deseja ser agradado. Mas ela simplesmente não consegue cumprir todos os pontos e isso a
faz sentir-se miserável e indigna.
A mulher deseja casar-se com outro homem. O outro homem não é menos exigente, mas ele a
ajuda a cumprir seus deveres. O que fazer? Enquanto o marido está vivo, ela está ligada a ele
pela lei. A não ser que ele ou ela morra, ela não pode casar-se com outro.
Você já entendeu que, em nossa alegoria, o marido é a lei, o outro homem é Cristo e nós somos a
mulher. A lei exige muito de nós e não nos oferece a mínima ajuda no cumprimento das
exigências. O Senhor Jesus não exige menos. Na verdade, Ele até exige mais (Mt 5.21-48), mas o
que exige, Ele mesmo cumpre em nós.
A única libertação da mulher está na morte do primeiro marido, a lei, mas sabemos que este não
pode morrer.
Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se
omitirá da lei sem que tudo seja cumprido (Mt 5.18).
A lei continuará por toda a eternidade. Como poderei chegar a me ligar a Cristo? Há apenas uma
saída: se o marido não morre, então morro eu. Dessa forma, Cristo nos incluiu em Sua morte.
Quando Ele morreu, nós morremos com ele.
Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais
doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus (Rm 7.4).
Assim, vemos que, quando fomos crucificados com Cristo, não apenas fomos libertos de um
antigo senhor, o pecado, mas também fomos libertos de um antigo marido, a lei. Tanto o pecado
como a lei continuam a existir, mas eu morri, e assim estou livre deles.
Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê (Rm 10.4).
Outra ilustração é entender que o corpo de Cristo ao qual Paulo se refere é também a igreja. A
igreja é a embaixada do céu aqui na terra. Assim, qualquer pessoa deste mundo está debaixo da
lei, mas se ela se refugia na embaixada do céu, fica sujeita a outra lei de um outro mundo: a lei da
graça.
O que significa, então, ser liberto da lei de maneira prática? Com relação à lei temos três tipos de
pessoas. O primeiro tipo é o legalista. Ele é aquele que é escravo da lei, acreditando que sua
relação com Deus depende de sua obediência aos mandamentos da lei. Nunca sente paz com
Deus, porque está sempre em débito. Jamais poderá cumprir a lei para ser aceito por Deus, e por
isso vive debaixo da maldição da lei.
O segundo tipo é antinomiano ou libertino. Sei que antinomiano é uma palavra difícil, mas ela é
composta de duas partículas: anti e nomos. Anti significa contra e nomos significa lei em grego.
Assim, antinomiano é aquele que vive sem lei ou é contra a lei. Esse afirma que não existe lei
alguma para o crente e que tudo agora nos é lícito. Essas pessoas vivem na prática do pecado e
ainda justificam seu erro na graça de Deus. Elas chegam mesmo a culpar a lei pelos males do
homem.
O terceiro tipo é o crente cheio do Espírito. Esse guarda a lei, mas não pelo esforço próprio. O
preceito da lei se cumpre nele porque ele anda no Espírito. Ao deixar que o Espírito controle sua
vida, ele experimenta a paz de não ter de cumprir a lei para agradar a Deus e, ao mesmo tempo, a
alegria de ver a lei sendo cumprida pelo Espírito que habita nele.
A libertação da lei não significa que estamos livres de fazer a vontade de Deus. Não somos agora
pessoas sem lei. O verdadeiro significado é que estamos livres de tentar fazer, por nós mesmos, o
que Ele quer. E também estamos livres de tentar conseguir agradar-Lhe. Não precisamos mais
tentar agradar a Deus cumprindo a lei a fim de nos sentir bem com Ele. Somos aceitos por Deus
por causa da justiça de Cristo.
A lei não pode justificar o homem, mas pela graça nós recebemos a justiça de Cristo. A lei exige
justiça do homem pecador, enquanto a graça concede justiça ao pecador. A lei exige perfeição,
mas a graça concede perfeição a todo o que crê.
Paulo diz que é Deus quem opera em nós tanto o querer como o realizar. Toda a obra é feita por
Ele.
Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o
querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Fl 2.12,13).
Uma vez que “Cristo nos libertou”, devemos “permanecer firmes” na graça, e não “nos submeter
de novo ao jugo da lei. Devemos desfrutar a liberdade que Cristo comprou para nós através do
Seu perdão. Não devemos cair na tentação de que temos de ganhar a nossa aceitação junto a
Deus através da obediência.
O perigo de voltar para a lei
No livro de Gálatas, Paulo corrige um problema que havia nas igrejas naqueles dias. Havia falsos
mestres ensinando que, para ser salvo, não bastava crer em Jesus, mas deveria também se
circuncidar e guardar a lei. O lema dos judaizantes era: “Se não vos circuncidardes segundo o
costume de Moisés, não podeis ser salvo” (cf. At 15.1,5). Eles diziam, em outras palavras, que a fé
em Cristo era insuficiente para a salvação.
A circuncisão pode parecer um assunto trivial, afinal, é apenas uma pequena cirurgia no corpo.
Paulo, porém, se preocupa com a circuncisão por causa de suas implicações doutrinárias. A
circuncisão era um símbolo teológico. Representava a salvação através das boas obras em
obediência à lei. Portanto, aceitar circuncidar-se é tentar ser salvo pelas obras sem depender de
fé.
Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo,
testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo
vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes (Gl 5.2-5).
Paulo afirma que aquele que se circuncidar fica obrigado a guardar toda a lei. Ele faz uma solene
afirmação e em três sentenças nos adverte dos sérios resultados da circuncisão e
consequentemente de voltar a guardar a lei:
Cristo de nada vos aproveitará (v. 2);
de Cristo vos desligastes;
da graça decaístes (v. 4).
Em nossos dias, não encontramos muitos ensinando que devemos nos circuncidar, mas existem
muitos que ensinam que precisamos guardar a lei. Não negam que precisamos crer em Jesus,
mas acrescentam a lei ao evangelho. Isso vai acarretar três consequências.
a. Cristo de nada vos aproveitará
O argumento é claro: “Se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão” (Gl 3.21).
O raciocínio é simples, se nós pudéssemos nos salvar cumprindo a lei, então o Senhor não
precisaria ter morrido na cruz. Tentar se justificar pelas obras é dizer que a morte de Jesus é inútil.
b. De Cristo vos desligastes
Uma consequência grave de se voltar para a lei é que, fazendo isso, nos desligamos de Cristo.
Ser desligado de Cristo é ser privado de todo o proveito de Cristo de tal forma que a Sua obra e o
Seu poder se tornam ineficazes em nós.
A ideia é a de um ramo enxertado na videira. Quando nos voltamos para a lei e procuramos nos
relacionar com Deus com base em nossas obras, nós desligamos o fluxo da seiva que vem do
tronco. O galho é desligado do tronco e o resultado é que o galho fica seco e sem vida. Enquanto
permanecemos enxertados em Cristo, desfrutamos de todas as Suas riquezas insondáveis. Mas,
se renunciamos a Cristo em nossa vida diária, mesmo que ainda professemos que somos
cristãos, viveremos uma vida empobrecida e sem vida.
É algo muito sério viver de acordo com os preceitos da lei. Aqueles que vivem assim
inevitavelmente secarão e perderão o fluir da vida do Espírito. Somente podemos desfrutar de
Cristo quando nos apoiamos na Sua graça, e não em nossas obras.
Nossas obras podem ser as muitas regras legalistas às quais nos sujeitamos, podem ser rituais,
formas e práticas religiosas e podem até mesmo ser um conjunto de doutrinas. Quando
dependemos dessas coisas para ser aprovados e aceitos por Deus, estamos nos privando do
desfrute pleno de Cristo.
A situação de muitos na igreja hoje é lamentável. Estão desconectados da fonte de vida e de
poder. Estão desconectados de Cristo e, por isso, estão vazios, regredindo a cada dia sem
entender porque isso acontece já que procuram de todas as formas agradar a Deus. O problema é
que pensam que agradam a Deus guardando a lei em suas muitas formas.
c. Da graça decaístes
Acrescentar a circuncisão é perder Cristo. Procurar ser justificado pela lei é decair da graça. Não
podemos acrescentar a circuncisão, a lei ou qualquer outra coisa a Cristo como algo necessário à
salvação, pois Cristo é suficiente em si mesmo.
“Em Cristo Jesus” o que importa é “a fé” (v. 6). Quando uma pessoa está em Cristo, nada mais é
necessário. A obra de Cristo é tão completa e perfeita que nada pode melhorar a nossa posição
diante de Deus. Tudo de que necessitamos a fim de ser aceitos por Deus é estar em Cristo.
Nós sabemos que a graça não é uma doutrina, mas é uma pessoa. A graça é o próprio Senhor
Jesus. João disse que a lei foi dada por Moisés, mas a graça veio por meio de Jesus (Jo 1.17).
Isso mostra que a lei é uma coisa, pois foi dada, mas a graça é uma pessoa que veio.
Decair da graça não significa perder a salvação. Os gálatas não estavam abandonando a Cristo,
eles apenas estavam tentando misturar a graça com a lei. Quando fazemos isso, o resultado é
que deixamos de desfrutar dos benefícios da graça.
Quando vivemos pela graça, a lei já não se aplica a nós. Ficamos livres da lei. Isso, porém,
não significa que podemos viver agora da maneira como quisermos. A vida cristã vivida pela fé na
graça não elimina a necessidade das boas obras e de obediência a Deus. A fé genuína atua pelo
amor. A fé que salva é uma fé que opera, uma fé que tem obras, uma fé que atua em amor. Uma
fé que atua pelo amor é uma fé viva que manifesta as obras de Deus, uma vez que o amor é o
cumprimento de toda a lei.
--
Pr. Aluizio A. Silva
Vigésimo Dia Livres da escravidão Nós sabemos que a lei não é a culpada de nosso pecado. A lei
não causa o pecado, ela apenas o manifesta. A lei não é má, pelo contrário, o mandamento de
Deus é santo, justo e bom (Rm 7.12). O p...

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